
Se você usa um dispositivo Roku para assistir Netflix, YouTube ou qualquer outro serviço de streaming na TV, a notícia desta segunda-feira (15) muda o futuro da plataforma que você tem em mãos. O anúncio oficial de que a Fox compra Roku por US$ 22 bilhões — aproximadamente R$ 111,8 bilhões na cotação atual —, em um dos maiores negócios do setor de entretenimento digital dos últimos anos.
O acordo combina o ecossistema de hardware e software da Roku com o portfólio de conteúdo ao vivo da Fox, que inclui os canais Fox, Fox Sports, Fox News e o serviço de streaming gratuito Tubi. A equipe Guias Expert explica o que está acontecendo, o que muda para quem já usa dispositivos Roku e qual o impacto real desse movimento no mercado de streaming.
A Roku é uma das empresas pioneiras no segmento de TV conectada nos Estados Unidos. Fundada em 2002 e com sede em San Jose, Califórnia, ela fabrica dispositivos de streaming — como o Roku Express e o Roku Streaming Stick Plus — e desenvolve o Roku OS, sistema operacional instalado em milhões de smart TVs de diferentes marcas.
Segundo a Fox Corporation, a plataforma da Roku está presente em mais de 100 milhões de lares globalmente, o que a torna a maior tela de descoberta de entretenimento do mercado americano. Esse dado é central para entender a lógica da aquisição: a Fox tem conteúdo de alto valor — esportes ao vivo, notícias em tempo real —, mas precisava de distribuição direta para consumidores que migraram da TV a cabo para o streaming.
O negócio foi estruturado em dinheiro e ações ordinárias, ao preço de US$ 160 por ação da Roku. Conforme comunicado da Fox Corporation, a empresa espera fechar a transação no primeiro semestre de 2027, após as aprovações regulatórias padrão nos Estados Unidos.
Os Números por Trás da Aquisição

O valor total de US$ 22 bilhões posiciona essa fusão como uma das maiores do setor de mídia e tecnologia da última década. Para ter uma referência: a Roku gerou US$ 613 milhões (cerca de R$ 3,1 bilhões) apenas em receita de publicidade no primeiro trimestre de 2026, um crescimento de 27% em relação ao mesmo período do ano anterior. Esse crescimento acelerado foi decisivo para justificar o preço pago.
Após a conclusão do negócio, os acionistas da Fox deterão aproximadamente 73% da empresa resultante da fusão, enquanto os acionistas da Roku ficarão com cerca de 27%. A companhia combinada passará a ocupar a terceira posição em audiência no setor de televisão dos Estados Unidos, atrás apenas de grupos como Comcast e Warner Bros. Discovery.
Lachlan Murdoch, presidente-executivo e diretor-executivo da Fox Corporation, afirmou em nota que a combinação “transformará o escopo” da empresa e deve trazer uma mudança significativa no perfil de crescimento. Murdoch também destacou que a transação foi executada a partir de uma posição de solidez financeira, mantendo o balanço patrimonial com grau de investimento.
💡 DICA GUIAS EXPERT:
Há uma ironia histórica nesse negócio. Em 2020, a Fox havia vendido uma participação de 6 milhões de ações que possuía na própria Roku — então cotadas a US$ 58 cada — para levantar fundos e financiar a compra do Tubi. Anos depois, a companhia desembolsa uma fortuna substancialmente maior para readquirir a plataforma de forma definitiva.
Como a Fusão Afeta Quem Usa Dispositivos Roku
A primeira e mais importante garantia pública das duas empresas é que a Roku continuará sendo uma plataforma aberta. Conforme comunicado conjunto da Fox Corporation e da Roku, os dispositivos e o Roku OS seguirão compatíveis com todos os serviços de streaming disponíveis atualmente — Netflix, Amazon Prime Video, Disney+, Globoplay e demais aplicativos não serão bloqueados ou removidos.
Anthony Wood, fundador e CEO da Roku, permanecerá na estrutura executiva da operação e integrará o conselho de administração da Fox Corporation. Em teleconferência com analistas, Murdoch reforçou que a Roku continuará sendo uma plataforma amigável para parceiros, sem mudança no modelo aberto que consagrou a empresa. A proposta, na prática, é integrar a inteligência de dados da Roku com a produção massiva de conteúdo ao vivo da Fox — e não transformar os aparelhos em um ecossistema fechado.
Para o usuário final, a mudança mais concreta esperada é na tela inicial dos dispositivos. A tendência é que conteúdo da Fox, Fox Sports e Tubi ganhe mais destaque na interface do Roku OS, aproveitando o relacionamento direto que a plataforma já tem com seus mais de 100 milhões de lares. A unificação de transmissões lineares tradicionais com o consumo sob demanda via streaming, em um só lugar, é o objetivo declarado da operação.
O Que Acontece com o Tubi
O Tubi é o serviço de streaming gratuito com receita de publicidade (AVOD) da Fox, lançado após a aquisição da empresa em 2020. Com a fusão, o Tubi se une ao The Roku Channel — canal gratuito nativo da plataforma Roku — em uma estrutura única. A combinação dos dois catálogos e das bases de dados de usuários deve criar um dos maiores serviços de streaming gratuito dos Estados Unidos, rivalizando diretamente com o Pluto TV (Paramount) e o Peacock Free (NBC/Universal).
Impacto no Mercado de Streaming e o Que Esperar de 2027
A aquisição da Roku pela Fox representa uma reconfiguração do mercado americano de streaming que pode ter reflexos globais. Segundo a Reuters, a Fox tem forte presença na TV a cabo, mas a compra da Roku representa uma oportunidade direta para alcançar consumidores que se afastaram da TV tradicional — um público que cresce a cada trimestre.
A empresa combinada estará posicionada na interseção de duas forças que remodelam o consumo de vídeo: a primazia de esportes e notícias ao vivo — onde a Fox domina — e o crescimento contínuo do streaming, onde a Roku lidera em distribuição. Essa combinação é particularmente relevante em anos de grandes eventos esportivos, como o ciclo olímpico e a Copa do Mundo de 2026.
No Brasil, os Roku Sticks chegaram oficialmente ao país em abril de 2025. A presença local da plataforma ainda é limitada se comparada ao mercado americano, mas o modelo aberto mantido após a fusão significa que os usuários brasileiros não devem sofrer impactos negativos na compatibilidade com aplicativos nacionais como Globoplay, Max e Paramount+. A Fox Corporation espera economizar cerca de US$ 400 milhões por ano em redução de custos após a conclusão do negócio, o que pode acelerar investimentos em expansão internacional.
Conclusão
A compra da Roku pela Fox por US$ 22 bilhões redefine o cenário do streaming americano e consolida uma empresa com alcance direto a mais de 100 milhões de lares. Para quem usa dispositivos Roku, a promessa oficial é de continuidade: plataforma aberta, sem restrição de aplicativos, com possível ganho de interface integrada ao conteúdo ao vivo da Fox. O impacto real, no entanto, só será mensurável quando o negócio for concluído, no prazo esperado para o primeiro semestre de 2027.
E você, usa Roku ou pretende comprar um dispositivo? Acredita que a fusão com a Fox vai melhorar ou piorar a experiência na plataforma? Deixe sua opinião nos comentários.