SEX · 16 MAI 2026 · 14:32 BRT

Extensão Claude Code Maliciosa no Cursor: Como Saber se Foi Afetado

Extensão Claude Code maliciosa: notebook com editor de código aberto em ambiente escuro
Foto: Caspar Camille Rubin / Unsplash

Se você usa o Cursor e a extensão do Claude Code atualizou na quarta-feira, 29 de outubro, vale conferir o computador hoje. Uma extensão Claude Code maliciosa ficou disponível no marketplace de extensões do Cursor por cerca de 11 horas e tentou instalar uma porta dos fundos (backdoor) por SSH em máquinas com Windows e macOS.

As versões adulteradas são a 2.1.312 e a 2.1.313. Segundo o Cursor, elas não foram desenvolvidas pela Anthropic, dona do Claude Code. O pacote circulou só no marketplace do Cursor, e quem instala o Claude Code pelo VS Code da Microsoft não recebeu essa versão.

Abaixo estão o teste de um minuto para saber se a sua máquina recebeu a chave do invasor, o passo a passo de limpeza e o que cada empresa disse sobre o alcance do ataque.

O que aconteceu com a extensão do Claude Code no Cursor

O aviso de segurança do Cursor diz que a versão modificada ficou no ar entre 2h27 e 13h35 no horário do Pacífico de 29 de outubro. No horário de Brasília, a janela vai das 6h27 às 17h35. Quem instalou a extensão ou recebeu a atualização automática nesse intervalo está no grupo de risco.

Os pesquisadores da Phorion e da OpenSourceMalware encontraram um carregador em JavaScript no início do arquivo extension.js. O resto do código da extensão continuava igual ao original, então o Claude Code seguia funcionando normalmente. O código malicioso rodava assim que o editor carregava a extensão, sem nenhum clique do usuário.

O que o código malicioso fazia na máquina

Primeiro, ele coletava dados do computador e enviava para um servidor do invasor: nome da máquina, usuário, sistema operacional, pasta pessoal, nomes de variáveis de ambiente, e-mail configurado no Git e IP público. Depois, gravava uma chave SSH do invasor, identificada como svc-telemetry, no arquivo de chaves autorizadas.

Em seguida, tentava ligar o serviço SSH e abrir um túnel reverso até o servidor do atacante. Para sobreviver a reinicializações, criava um LaunchAgent no macOS ou uma tarefa agendada chamada SysMon no Windows, com um script na pasta Inicializar como plano B. Esses scripts tentavam refazer o túnel a cada 60 segundos, aproximadamente.

O que o Cursor já fez

O Cursor removeu a versão maliciosa, tirou o marketplace inteiro do ar por precaução, auditou as demais extensões e trocou as próprias chaves antes de reabrir a loja. A empresa também trabalhou com o provedor de nuvem para derrubar o servidor do invasor, o que interrompe o envio de dados e o túnel reverso. O aviso não explica como a extensão Claude Code maliciosa foi publicada com o nome da Anthropic.

Como saber se seu computador foi afetado

O sinal mais simples é a chave svc-telemetry. Se ela aparecer no arquivo de chaves autorizadas do SSH, a extensão Claude Code maliciosa rodou na sua máquina. Os dois comandos abaixo foram publicados pelo próprio Cursor e só leem o arquivo, sem alterar nada.

No macOS

Abra o Terminal e cole o comando:

grep -qs svc-telemetry ~/.ssh/authorized_keys && echo "svc-telemetry key found" || echo "No key found; machine not impacted"

No Windows

Abra o PowerShell e cole as duas linhas:

$files = "$HOME\.ssh\authorized_keys", "C:\ProgramData\ssh\administrators_authorized_keys" | Where-Object { Test-Path $_ }
if ($files -and (Select-String svc-telemetry $files)) { "svc-telemetry key found" } else { "No key found; machine not impacted" }

Se a resposta for svc-telemetry key found, a máquina foi afetada. Se for No key found, a chave não está lá. A análise da Microsoft faz uma ressalva importante: encontrar a chave prova que o código rodou, mas não prova que o invasor chegou a entrar pelo túnel.

O que fazer se a chave svc-telemetry aparecer

Desinstalar a extensão Claude Code maliciosa não resolve. O código malicioso deixa scripts de persistência independentes, que continuam rodando mesmo sem o Claude Code instalado. Siga a ordem abaixo, que junta as orientações do Cursor e da Microsoft:

  1. Desconecte a máquina da rede da empresa ou da VPN até terminar a limpeza.
  2. Preserve as evidências se for um computador corporativo: copie o arquivo authorized_keys e a pasta da extensão antes de apagar qualquer coisa, para a equipe de segurança analisar.
  3. Rode o script de limpeza do Cursor. No macOS, baixe o remediate-macos.sh do aviso e execute bash remediate-macos.sh como usuário comum, sem root. No Windows, baixe o remediate-windows.ps1 e execute powershell -ExecutionPolicy Bypass -File .\remediate-windows.ps1 num PowerShell aberto como administrador.
  4. Reinicie o computador e rode o teste de novo. O resultado precisa ser “No key found”.
  5. Troque as credenciais que essa máquina acessava: tokens do GitHub, chaves de nuvem, chaves de API e sessões abertas. Faça isso a partir de outro computador, que você saiba estar limpo.
  6. Avalie reinstalar o sistema se a máquina guardava acesso a produção ou se você não tiver certeza de que a limpeza foi completa.

A troca de credenciais vale mesmo que o código só tenha enviado os nomes das variáveis de ambiente. O Cursor lembra que a coleta limitada não descarta um acesso posterior pelo backdoor, caso o túnel tenha funcionado.

💡 DICA GUIAS EXPERT:

O Cursor só publicou pacotes adulterados para Windows x64 e para Mac com chip Apple (darwin-arm64). Mesmo assim, as listas de indicadores do Cursor e da Microsoft trazem caminhos de Linux. Se você usa o Cursor no Linux e atualizou extensões no dia 29, rode crontab -l e procure uma linha @reboot que chame o arquivo ~/.config/.smt. Não aparecer nada é o resultado esperado.

O que cada fonte diz sobre a extensão Claude Code maliciosa

O Cursor publicou o aviso em 29 de outubro e o atualizou no dia 30, às 11h30 no horário do Pacífico, com indicadores revisados. A Microsoft e os pesquisadores da Phorion publicaram análises técnicas no dia 30. Os relatos sobre a extensão Claude Code maliciosa batem no essencial, mas divergem em detalhes que mudam a avaliação de risco:

PontoAviso do Cursor (29 e 30/10)Análise da Microsoft e dos pesquisadores (30/10)
Versões afetadas2.1.312 e 2.1.313. A 2.1.312 entrou na atualização do aviso em 30/10Primeiros relatos citavam só a 2.1.313
SistemasPacotes para Windows (x64) e Mac com chip AppleIndicadores incluem também caminhos de Linux, como uma linha no crontab
Dados enviados ao invasorNome do computador, usuário, sistema, pasta pessoal, nomes de variáveis de ambiente, e-mail do Git e IP públicoSó os nomes das variáveis com KEY, TOKEN ou SECRET, não os valores
Acesso remoto por SSHFalha na maioria das máquinas, a não ser que o Cursor rodasse como administradorA Phorion achou erros no código que impedem ligar o SSH; chave e persistência ficam gravadas mesmo assim
Onde circulouSó no marketplace de extensões do CursorVisual Studio Marketplace, npm e Open VSX não foram afetados
Máquinas atingidasNão informadoNão informado oficialmente; relatos na imprensa falam em até 5 mil desenvolvedores

A divergência mais útil para o leitor é a do acesso remoto. A Phorion encontrou erros no código: no macOS, o malware consultava o status do SSH sem privilégio de administrador e pulava a etapa de ligar o serviço. No Windows, tentava instalar o servidor OpenSSH por um shell de Unix que não existe numa instalação padrão. Na prática, o túnel só abriria em máquinas que já tinham o SSH ligado.

O número de máquinas atingidas segue sem confirmação. Nem o Cursor nem a Microsoft divulgaram quantas instalações aconteceram na janela de 11 horas, e por isso a tabela trata o número de 5 mil como estimativa, não como dado oficial.

Como evitar extensão adulterada daqui para frente

A Microsoft recomenda duas medidas para empresas que usam o Cursor: manter uma lista de publicadores de extensão aprovados e configurar um período de espera antes de aceitar versões novas. A segunda medida teria bastado aqui, porque a versão maliciosa ficou só 11 horas no ar antes de ser removida.

Para quem usa o editor sozinho, o equivalente é desligar a atualização automática de extensões no computador de trabalho e atualizar manualmente, alguns dias depois do lançamento de cada versão. Vale também revisar de tempos em tempos quais extensões estão instaladas e remover as que você não usa mais.

Casos como o da extensão Claude Code maliciosa mostram por que o computador de quem desenvolve virou alvo preferencial porque guarda chaves de acesso a sistemas inteiros. A própria Binance ligou o roubo de US$ 6,3 bilhões que sofreu em 29 de outubro a um notebook comprometido de um engenheiro de DevOps.

Conclusão

A extensão Claude Code maliciosa atingiu só quem usa o Cursor e instalou ou atualizou a extensão no dia 29 de outubro, entre 6h27 e 17h35 no horário de Brasília. Para essas pessoas, o teste da chave svc-telemetry leva um minuto e diz se a máquina precisa de limpeza.

Se a chave aparecer, desinstalar não basta: rode o script do Cursor, reinicie, teste de novo e troque as credenciais a partir de outro computador. Leia também nosso guia Binance Hackeada: Ataque de US$ 6,3 Bilhões e o Que Fazer Agora, que mostra o mesmo tipo de ataque em escala bem maior.

Você usa extensões de IA no editor de código? Conte nos comentários se a sua empresa já controla quais extensões podem ser instaladas.

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